O resultado das urnas no primeiro turno deixou questionamentos sobre a força de transferência política do grupo de Joaquim. Já no segundo, Danielle do Vale encontrou espaço, ganhou protagonismo e pode ter começado a desenhar um novo capítulo da política mamanguapense. Mas por que quase ninguém está falando sobre isso?
Na política, nem sempre o resultado mais importante está nos números apresentados no dia da eleição. Às vezes, está naquilo que acontece entre uma votação e outra. E, olhando atentamente para o cenário político de Mamanguape nas eleições de 2026, existe um movimento que merece ser observado: o segundo turno de Danielle do Vale foi, politicamente, muito melhor que o primeiro.
Para entender essa história, é preciso voltar ao dia 4 de outubro.
Danielle, apesar de ter conquistado a reeleição para a Assembleia Legislativa da Paraíba, apresentou uma redução em sua votação em Mamanguape quando comparada ao pleito de 2022. Naquela eleição, recebeu 10.951 votos no município. Em 2026, foram 9.930. Uma perda de 1.021 votos, mesmo sendo uma candidata à reeleição e contando com o apoio do grupo político do prefeito Joaquim.
O resultado levantou uma pergunta inevitável: se o grupo governista propaga índices de aprovação próximos a 90%, por que essa força não apareceu de maneira proporcional nas urnas para sua candidata?
É evidente que aprovação de gestão e transferência de votos são coisas diferentes. Mas o resultado deixou uma mensagem política que não passou despercebida nos bastidores. A expectativa era de que a estrutura política municipal pudesse produzir uma votação ainda mais expressiva. Não foi o que aconteceu.
O assunto circulou por Mamanguape e pelo Vale do Mamanguape. E, naquele momento, a leitura de alguns observadores era de que Danielle poderia ter encontrado dificuldades para ampliar sua força eleitoral dentro do próprio município.
Mas a história não terminou no primeiro turno.
O segundo turno e a oportunidade que apareceu
Com a disputa presidencial, o cenário político ganhou uma nova configuração. O prefeito Joaquim adotou uma postura discreta em relação ao posicionamento para presidente, sem assumir publicamente uma declaração de voto que o colocasse diretamente na disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro.
Nos bastidores, circularam diferentes interpretações sobre essa postura. O fato é que o cenário não era simples: Mamanguape demonstrava uma preferência expressiva pelo presidente Lula, e qualquer movimento de aproximação com o campo bolsonarista poderia representar um desgaste político.
Foi justamente nesse espaço que Danielle parece ter identificado uma oportunidade.
Enquanto lideranças políticas de municípios vizinhos, como Rio Tinto, Marcação e Baía da Traição, ganharam visibilidade ao assumir posições na disputa presidencial, Danielle, ao lado de seu pai, Dr. Quequinha, também entrou no debate e passou a ocupar um espaço de protagonismo.
E os números ajudam a compreender a dimensão daquele momento.
No primeiro turno, Lula recebeu 15.315 votos em Mamanguape. No segundo, chegou a 18.572, uma ampliação de 3.257 votos, encerrando a eleição com 66,27% dos votos válidos no município.
Na festa da vitória, Danielle apareceu em evidência. Sua presença e seu posicionamento ajudaram a associar sua imagem ao resultado expressivo de Lula na cidade. Mais do que participar de uma comemoração, a deputada conseguiu ocupar um espaço de visibilidade política que talvez não tivesse conquistado durante o primeiro turno.
E é aqui que entra 2028.
A política de Mamanguape pode estar diante de uma movimentação que merece atenção. Danielle e Joaquim já caminharam juntos em diferentes momentos. O prefeito já contou com o voto de Danielle, assim como a deputada já contou com o apoio político de Joaquim.
Mas alianças não são eternas, e a política não funciona necessariamente pela lógica de uma dívida que nunca termina.
Com a reeleição garantida, Danielle possui mandato, visibilidade regional, um grupo político próprio e, principalmente, a possibilidade de construir um projeto independente para o futuro.
Isso significa que ela será candidata a prefeita em 2028? Não necessariamente. Mas significa que seu nome entra no radar de uma discussão que pode ganhar força nos próximos meses.
O resultado do primeiro turno mostrou que a transferência de votos dentro do grupo governista merece ser questionada. O segundo turno, por sua vez, mostrou que Danielle pode encontrar outros caminhos para ampliar sua presença política em Mamanguape.
Talvez a grande questão não seja apenas saber quem estará na disputa pela Prefeitura em 2028, mas entender quem está conseguindo construir protagonismo desde agora.
E fica uma pergunta: por que um movimento político dessa dimensão ainda está sendo tão pouco discutido em Mamanguape?
As urnas já deram alguns sinais. Resta saber quem está disposto a interpretá-los.
Paraibaqui

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